Projeto Integrador · Vila Dignidade · Limeira/SP

Cultivando Memórias,
colhendo histórias

Uma horta comunitária feita de afeto, tradição e convivência, onde cada semente plantada carrega a memória de quem um dia cuidou da terra com as próprias mãos.

Horta comunitária da Vila Dignidade
10 idosos beneficiados
10 estudantes envolvidos
3 cursos envolvidos
PET vasos de garrafa PET

Uma horta que é muito mais do que uma horta

A Vila Dignidade é um programa habitacional do Governo do Estado de São Paulo para idosos de baixa renda. No dia 12 de março de 2026, estudantes dos cursos de Nutrição, Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Arquitetura visitaram os moradores com uma proposta simples e afetiva: montar pequenas hortas em garrafas PET decoradas, plantadas pelas próprias mãos dos idosos.


Cada morador escolheu suas garrafas, plantou suas sementes — morango, tomate cereja ou salsinha — e, enquanto as mãos trabalhavam a terra, as memórias floresceram. A atividade foi muito mais do que uma horta: foi um encontro de histórias, afeto e pertencimento.

ODS 3 · Boa Saúde e Bem-Estar

O que fizemos

  • Montagem de hortas em garrafas PET decoradas, escolhidas pelos próprios idosos
  • Plantio de sementes de morango, tomate cereja e salsinha
  • Rodas de conversa e coleta de memórias afetivas ligadas à culinária e ao cultivo
  • Registro digital das histórias de vida para preservação da memória cultural

Atividade da Horta · 12 de março de 2026

Chegando ao local, organizamos os materiais da horta, separando as garrafas decoradas à vista dos idosos, para eles poderem ver e escolher duas que gostassem, além de deixar as sementes, joaninha de decoração e a terra preparada, para auxiliar os idosos na montagem das hortas.

Começamos nos apresentando, cada um falando seus nomes, tanto os integrantes dos grupos quanto os idosos, além de explicar a dinâmica da atividade e o porquê dela acontecer. Conforme os gostos dos idosos, os integrantes foram entregando as garrafas decoradas e as sementes, além de auxiliar na colocação da manta e da terra, enquanto conversávamos tanto sobre o tema da atividade quanto sobre temas diversos.

Na parte da produção das hortas, foram aproveitadas totalmente as sementes utilizadas (morango, tomate cereja e salsinha). Entre as decorações feitas, a garrafa mais pedida foi a de porquinho, além de um senhor que utilizou os pacotes das sementes em cima dos palitos da joaninha de forma criativa:

"É para me ajudar a lembrar qual horta é do que."

Durante a atividade, muitos idosos adoraram montar suas hortinhas, comentando sobre cada detalhe e história relacionada à comida, como uma senhora que contou:

"Eu aprendi a fazer brigadeiro a pouco tempo, foi só a 20 anos."

Os idosos também compartilharam como iriam cuidar de cada hortinha — alguns colocando em lugar fixo, outros levando periodicamente ao quintal — e já pensavam em transferi-las futuramente a um local maior, para as plantinhas crescerem mais.

No fim da dinâmica, houve sobra de terra, que foi oferecida ao idoso que cuida da horta fixa presente na Vila Dignidade. Ele prontamente foi buscar uma carriola para levar o material até a horta e ainda ajudou outros idosos a carregarem suas hortinhas. Em seguida, alguns idosos brincaram com ele sobre sujar o salão com o pé de terra, e ele reagiu alegremente, mostrando a sola do pé suja a todos — um momento que demonstrou a amizade leve e bonita que existe entre os moradores.

No encerramento, boa parte dos idosos perguntaram se iríamos voltar a visitá-los, afirmando que gostaram muito da atividade prática e das conversas que aconteceram ao longo dela. Cada um levou sua hortinha para casa, já sabendo exatamente onde iria colocá-la.

As histórias que a horta desperta

No dia 12 de março de 2026, visitamos a Vila Dignidade para a atividade da horta. Enquanto as mãos trabalhavam a terra, as memórias floresceram. Estes são os relatos que ouvimos, na voz de quem mais importa.

Atividade realizada em 12 de março de 2026
Pergunta 01

Você tem alguma comida ou receita que te lembra da sua infância?

"

Arroz, feijão e mandioca, feitos pela minha mãe.

"

O bolo de fubá da minha vó — a casa toda ficava com cheiro antes do café.

"

Minha mãe fazia pamonha com a minha avó. Lembro delas em todos os processos, e sempre adicionávamos queijo ou manteiga para comer.

"

Qualquer comida da minha vó — o tempero era o melhor de todos. Vou usar a salsa para fazer algumas receitas.

"

Eu adorava comer frutas com os meus pais. Espero conseguir fazer os morangos crescerem bem.

Pergunta 02

Você gostava de ajudar na cozinha quando era criança?

"

Eu sempre ajudava minha mãe na cozinha — nos finais de semana nos reuníamos com a família e cozinhávamos o almoço para todos com minha vó e minhas tias.

"

Adorava cozinhar com a minha vó. Foi com ela que aprendi a fazer o bolo de mandioca que meus netos amam.

"

Ajudar eu não ajudava — agora ficar beliscando as comidas que minha mãe fazia, isso eu fazia toda hora!

"

Lembro de ajudar principalmente quando chovia e nós fazíamos bolinho de chuva. É algo que sempre tentei reproduzir com meus filhos e netos.

Pergunta 03

Você gosta de cozinhar? Qual prato você mais gosta de fazer?

"

Sim, sempre tento usar ingredientes frescos. Gosto de fazer salgados: tortas, empadas, massas.

"

O clássico arroz e feijão. O segredo é colocar uma folha de louro ou extrato de tomate no feijão.

"

Modéstia parte, mas o meu bolo de cenoura não tem igual. Meus netos são completamente apaixonados — sempre que nos encontramos eles pedem o bolo da vovó com bastante calda de chocolate.

"

Eu não sei cozinhar nada, porém minha mulher sabe. Eu tento ajudar sempre que possível e posso afirmar que as refeições dela são as melhores.

Pergunta 04

Tem alguma receita que você aprendeu com alguém especial?

"

O bolo de mandioca da minha vó — foi uma das primeiras coisas que aprendi na cozinha.

"

Lembro da minha mãe insistindo em me ensinar as bolachas que ela fazia. Fui me esforçar para aprender quando tive meu primeiro filho.

"

Sim, praticamente tudo que sei fazer — minha mãe e minha vó me ensinaram muito. Falavam que eu precisava ser uma mulher prendada para arrumar um marido.

Pergunta 05

Você já ensinou alguma receita para seus filhos, netos ou outras pessoas?

"

Eu fiz um livro de receitas para passar para os meus sucessores — sempre tentei fazer algumas das receitas dos livros com eles.

"

Sim, ensinei meu filho a cozinhar o básico, para ele conseguir ir morar sozinho e não ficar comprando comida na rua.

Pergunta 06

Você lembra de algum momento especial que aconteceu enquanto cozinhava?

"

Lembro dos finais de semana que me reunia com a minha família — ficávamos contando histórias e fazendo a comida. Era tão divertido, todos se ajudando e rindo juntos.

"

Comer e cozinhar são momentos importantes e devem ser valorizados. Às vezes não tinham muito, porém sempre conseguíamos receber mais alguém para comer — era só colocar mais água no feijão e o resto a gente se virava.

"

Lembro da minha adolescência, quando me reunia com os meus amigos para cozinhar. Tentávamos fazer coisas diferentes — o mais marcante foi quando queimamos o macarrão. Não ficou bom, só que lembro de ficarmos rindo da situação.

Pergunta 07

Vocês que já plantaram têm dicas para quem não tem experiência?

"

Guardem as cascas de ovos, deixem no sol para secar e depois batam no liquidificador. Fica ótimo para colocar nas plantas.

"

Eu recomendo colocar a borra do café nas plantas — parece estranho, porém funciona e ajuda muito nas plantinhas.

"

O clássico — qualquer fruta que como, entero as cascas nas plantas. É um ótimo adubo e às vezes acabam crescendo mudas de plantas frutíferas.

"

Às vezes buscamos esterco de cavalo aqui atrás — como tem um terreno vazio, o pessoal costuma deixar cavalos lá. Aproveitamos para adubar tudo.

Pergunta 08

Tem algum tempero ou erva que não pode faltar na sua comida?

"

Alho, cheiro-verde, cebola, pimenta do reino, cominho.

"

Eu adoro páprica, açafrão, salsa, louro.

"

Orégano, pimenta do reino, tempero baiano, alecrim.

Pergunta 09

Se você pudesse ensinar uma receita para as pessoas mais jovens, qual seria?

"

Cueca virada! Adoro fazer para tomar com um café de tarde — é super rapidinho, uns 40 minutos e tá pronto.

"

A torta de frango que eu sempre faço no final do ano — virou tradição na família. Ensinei meus filhos e netos.

"

Um clássico para o café da tarde: bolinho de chuva, nesse clima de agora então! O segredo é colocar um pouco de baunilha e depois de frito passar açúcar e canela.

Pergunta 10

Você já plantou alguma outra vez ou já cuidou de alguma horta?

"

Sim, plantei romã aqui na frente de casa na Vila — na última colheita deram 9!

"

Já plantei pitaya — elas começaram a florescer agora.

"

Não, porém sempre quis tentar plantar algo. Vamos ver se tenho a mesma habilidade que alguns aqui que sabem cuidar.

"

Sim, usei o quintal da casa aqui para fazer uma horta. Fico feliz por vocês terem dado a terra que sobrou da atividade — vai ajudar na minha horta, e vou cuidar bem das hortinhas de vocês.

Pergunta 11

Você acredita que vai usar esses alimentos que estamos plantando hoje? Qual a primeira receita que pensa em fazer?

"

Sem dúvida! Sempre usei bastante salsa, gosto de usá-la fresca — só que nunca tentei plantar. Vou tentar fazer as sementes vingarem para fazer salsicha com molho temperado com a salsa.

"

Eu sou apaixonada por tomatinho cereja com queijo — quem sabe na próxima vez que vocês passarem aqui eu já tenha como fazer com esses que plantamos!

"

Minha neta adora morangos — escolhi plantá-los por conta dela. Penso em comê-los puros com ela ou fazer uma vitamina para nós.

Vozes que a Vila guarda

Conversas com os moradores da Vila Dignidade — histórias de superação, arte e convivência que vão além da horta.

"

Gosto de passar o tempo aqui fazendo tapetes no tear. Levo, em média, duas semanas me dedicando bastante com todos os materiais para deixá-los prontos. Morei um tempo na rua e foi lá que aprendi essa técnica com um rapaz, em uma casa de acolhimento. Depois disso, passei a dar aulas para turmas, ensinando outras pessoas a utilizar o tear e produzir seus próprios tapetes. Hoje, essa atividade não é apenas uma forma de ocupar o tempo, mas também algo que me traz orgulho e um sentimento de superação, pois transformei uma dificuldade do passado em algo positivo para minha vida e para ajudar outras pessoas.

"

Eu gosto de fazer crochê. Produzo muitos enfeites para a casa, como tapetes, capas de vaso sanitário, itens para fogão e até pesos de porta. Costumo fazer esses produtos para vender, pois além de ser uma atividade que gosto muito, também ajuda na minha renda. No momento, estou um pouco limitada por conta de uma cirurgia de catarata que irei realizar, mas pretendo voltar às minhas atividades assim que estiver recuperada. O crochê é muito importante para mim, pois me acalma e me faz sentir produtiva.

"

Morar aqui é muito gostoso, porque estamos sempre realizando atividades para nos distrair e manter a mente ocupada. Participamos de jogos como baralho e xadrez, além de atividades físicas com profissionais que vêm nos ajudar a nos movimentar e cuidar da saúde. Essas atividades são importantes não só para o corpo, mas também para o convívio social, pois nos permitem interagir, fazer amizades e nos sentirmos mais felizes no dia a dia.

"

No terreno atrás da minha casa, tenho uma horta. Gosto muito de trabalhar lá, pois passo o tempo cuidando das plantas, regando, observando o crescimento e aprendendo mais sobre cada espécie. Isso me traz tranquilidade e uma sensação de paz. Olha aqui um exemplo: essa flor está bonita e, em breve, vai dar frutos. Cuidar da horta é uma atividade que me conecta com a natureza e me faz sentir útil, além de proporcionar alimentos frescos e saudáveis.

Construindo juntos, colhendo memórias

A equipe do projeto

Moises Henrique de Souza Miranda

Moises Henrique
de Souza Miranda

Mariana Giovana Sanchez Silva

Mariana Giovana
Sanchez Silva

Guilherme Marson Crepaldi

Guilherme Marson
Crepaldi

Vitoria Larissa Assis Fonseca de Oliveira

Vitoria Larissa
Assis Fonseca de Oliveira

Julia Marini Fischer

Julia Marini
Fischer

Vitoria Berti Grippa

Vitoria Berti
Grippa

Ana Claudia Ferreira de Moura

Ana Claudia
Ferreira de Moura

Giovanna Bombonatto dos Santos

Giovanna Bombonatto
dos Santos

Murilo Fischer

Murilo Fischer

Gabriella Mendes de Ponte

Gabriella Mendes
de Ponte